"A Queda", por Diogo Mainardi

domingo, março 17, 2013 Sidney Puterman


Se Belchior fez “Paralelas”, Diogo Mainardi fez paralelos. Belchior abriu mão da notoriedade e desapareceu do Brasil, deixando o Corcovado de braços abertos. Diogo Mainardi abriu mão do Brasil e só veio a redescobri-lo pelas garagens da Vieira Souto. Nelas, ensinava, de braços abertos, o filho a andar, na expectativa troncha de evitar suas quedas. Em vão. O livro de Mainardi é assim: circular. Estabelece paralelos eivados de sarcasmo e erudição e, por meio deles, dá os passos da história de Tito, seu filho vítima de paralisia cerebral por conta de um erro médico cometido pela dotoressa F, no Hospital de Veneza. Se Tito é claudicante e cai, Diogo é debochado e firme. Avesso à auto-comiseração, o pai expõe a trajetória de Tito e reafirma sua mudança íntima em prol do filho aleijado (a expressão, dura, é reiteradamente usada por Diogo).  Assim, à moda Mainardi, nos deparamos com uma história de amor e superação envolvendo pai e filho. Bonita história, escrita por um autor presunçoso, agressivo e inteligente. O protagonista, Tito, é feliz. O pai, Diogo, escreve bem.

Record, 150 páginas.

Sidney Puterman

Some say he’s half man half fish, others say he’s more of a seventy/thirty split. Either way he’s a fishy bastard.

2 comentários:

  1. Também li e gostei bastante. E sua resenha pegou tudo muito bem; está excelente.

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  2. Valeu, Jair! Obrigado pelo comentário.

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